Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão
Chico Buarque
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
São apenas mais alguns escritos, algumas palavras que ficaram sem ser ditas. Fatos que ficaram sem uma explicação (ou foram por demais explicados), ou uma conclusão, um final, um encerramento para que enfim que se tenha a tranqüilidade ou uma certeza, mesmo que duvidosa.
Não terminamos o assunto. Aquela conversa ficou tão muda, tão pendente; fora uma surpresa, sim, uma surpresa porque não esperávamos o que aconteceu; um, a resposta; outro, a pergunta.
E mesmo sem ter ocorrido nada, mesmo a paralisia ter nos congelado naquele momento, sabíamos que algo existia. Essa alguma coisa guardada há tanto tempo, com toda a distância e ausência, sempre volta.
Restavam aqueles pequenos encontros casuais, conversas quase mudas, o silêncio era mais que suficiente para provar essa alguma coisa. O silêncio que também dilacerava por ser mais presente que nossas próprias vontades.
E agora, a ânsia pelo reencontro. O mútuo desejo de que tudo dê certo e então, depois de tanto tempo, estejamos frente a frente. O que vai acontecer? Não sabemos; o momento dirá, as lembranças nos conduzirão; as aflições e angústias guardadas durante todos esses anos serão expostas, e, mais uma vez, quem sabe, o silêncio seja suficiente para nos compreendermos.
Não terminamos o assunto. Aquela conversa ficou tão muda, tão pendente; fora uma surpresa, sim, uma surpresa porque não esperávamos o que aconteceu; um, a resposta; outro, a pergunta.
E mesmo sem ter ocorrido nada, mesmo a paralisia ter nos congelado naquele momento, sabíamos que algo existia. Essa alguma coisa guardada há tanto tempo, com toda a distância e ausência, sempre volta.
Restavam aqueles pequenos encontros casuais, conversas quase mudas, o silêncio era mais que suficiente para provar essa alguma coisa. O silêncio que também dilacerava por ser mais presente que nossas próprias vontades.
E agora, a ânsia pelo reencontro. O mútuo desejo de que tudo dê certo e então, depois de tanto tempo, estejamos frente a frente. O que vai acontecer? Não sabemos; o momento dirá, as lembranças nos conduzirão; as aflições e angústias guardadas durante todos esses anos serão expostas, e, mais uma vez, quem sabe, o silêncio seja suficiente para nos compreendermos.
Na noite terrível
Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita
Se em certo momento
Tivesse dito sim ao invés de não, ou não ao invés de sim
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio do sono, elaboro
Se tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também...
Fernando Pessoa
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita
Se em certo momento
Tivesse dito sim ao invés de não, ou não ao invés de sim
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio do sono, elaboro
Se tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também...
Fernando Pessoa
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